terça-feira, 20 de outubro de 2009

A uma taça feita de um crânio humano- Lord Byron

Tradução de Castro Alves do poema

Tradução publicada em Espumas Flutuantes.

Não recues! De mim não foi-se o espírito...Em mim verás — pobre caveira fria —Único crânio que, ao invés dos vivos,Só derrama alegria.Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte Arrancaram da terra os ossos meus.Não me insultes! empina-me!... que a larvaTem beijos mais sombrios do que os teus.Mais val guardar o sumo da parreiraDo que ao verme do chão ser pasto vil;—Taça — levar dos Deuses a bebida,Que o pasto do reptil.Que este vaso, onde o espírito brilhava,Vá nos outros o espírito acender.Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro... Podeis de vinho o encher!Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,Quando tu e os teus fordes nos fossos,Pode do abraço te livrar da terra,E ébria folgando profanar teus ossos.E por que não? Se no correr da vida Tanto mal, tanta dor ai repousa?É bom fugindo à podridão do lado Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...

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